entre mim e ti,
era a impossibilidade.
não tuas palavras,
indícios de metades,
não teus gestos rasos
sobrevoando o cume,
não teus olhos de sede
entornados n'alma,
não tua nuca aberta
e minhas mãos fechadas.
não a tua cidade,
mas a nossa.
entre mim e ti,
era a lucidez dos corpos,
do perigo dos corpos
mergulhados n'água.
era o amor: processo
de criar sentidos.
era o amor sentido,
despronunciado.
tuas palavras aflitas,
teus olhos em gesto,
tuas mãos líquidas,
teu mistério -
e minha boca
a beijar-te o ar,
teu ar a roubar-me
o calor da boca:
tudo quanto exprimes
e retiras,
tudo quanto existe
sem nascer - e finda.